
Estratégia Collar de Opções Explicada de Forma Simples
A estratégia de collar protege uma posição comprada em ações limitando tanto as perdas quanto os ganhos. Ela combina uma ação, uma put protetora e uma call coberta em uma única operação, e é uma das formas mais usadas de travar risco sem vender a posição.
O Que É a Estratégia Collar
A estratégia de collar é montado unindo três peças: uma posição comprada em ações, a compra de uma put protetora abaixo do preço atual, e a venda de uma call coberta acima dele. Esse conjunto cria uma espécie de corredor de preço, um piso e um teto, dentro do qual o resultado da operação fica limitado. As opções de collar existem exatamente para isso: reduzir a incerteza sem exigir que o investidor abra mão da posição.
Por envolver ação, put e call ao mesmo tempo, essa montagem costuma ser chamada de operação casada. É por isso, aliás, que muitas corretoras tratam o collar como uma operação estruturada só, e não como três ordens separadas, o que ajuda inclusive na exigência de margem, embora isso varie de corretora para corretora e o investidor sempre deva conferir as regras específicas antes de montar a posição, já que nem toda plataforma trata o collar da mesma forma.
Esse gerenciamento de risco em camadas é parecido, de um jeito bem geral, com a lógica usada em outras áreas do mercado. Este guia de gerenciamento de risco mostra como calcular o tamanho de posição adequado, o que ajuda a entender por que travar um piso de perdas costuma valer o pequeno custo (ou até custo zero) do collar.
Componentes do Collar: Ação, Put e Call
O primeiro componente é a ação, que o investidor já possui, geralmente em lotes de 100 unidades. O segundo é a put protetora, comprada com strike abaixo do preço atual, que garante um preço mínimo de venda caso a ação caia.
O terceiro componente é a call coberta, vendida com strike acima do preço atual. O prêmio recebido por essa venda depende com a volatilidade implícita e do tempo até o vencimento, e é justamente esse prêmio que ajuda a pagar, total ou parcialmente, o custo da put protetora.
A escolha dos strikes é o que define o tamanho do corredor. Strikes mais próximos do preço atual reduzem o custo da put e aumentam o prêmio da call, mas encurtam o espaço de ganho. Strikes mais afastados fazem o oposto: dão mais espaço para a ação se mover, só que o collar acaba saindo mais caro.
A Estratégia Collar É de Alta ou de Baixa
O collar não é nem uma aposta de alta nem uma aposta de baixa, no sentido estrito. Ele é montado sobre uma posição que já existe, então a visão direcional já está na ação, não na estratégia de proteção em si.
Dito isso, o collar costuma ser classificado como neutro a levemente comprador, porque o investidor mantém uma visão positiva de longo prazo sobre a ação, mas não tem mó confiança de que ela vá subir muito para cima no curto prazo, e por isso aceita abrir mão de parte do ganho em troca de proteção. Quem está fortemente pessimista sobre a ação, de modo geral, prefere vender a posição, não montar um collar em cima dela.
Exemplo Prático com uma Ação

Os valores abaixo são apenas ilustrativos e não refletem cotações reais, mas ajudam a mostrar a mecânica com números redondos. Suponha que um investidor tenha 100 ações de PETR4 compradas a R$ 38,00 cada.
Ele compra uma put protetora com strike de R$ 36,00, pagando um prêmio de R$ 1,20 por ação, e vende uma call coberta com strike de R$ 41,00, recebendo um prêmio de R$ 1,00 por ação. O custo líquido da operação fica em R$ 0,20 por ação.
Se PETR4 subir acima de R$ 41,00: a call é exercida contra o investidor, que vende a R$ 41,00. Ganho máximo de R$ 2,80 por ação, já descontado o custo líquido, mesmo que a ação suba bem mais do que isso
Se PETR4 cair abaixo de R$ 36,00: a put garante a venda a R$ 36,00. Perda máxima de R$ 2,20 por ação, mesmo que a queda seja bem maior
Se PETR4 ficar entre R$ 36,00 e R$ 41,00: as duas opções expiram sem valor, e o investidor fica só com o resultado da ação menos o pequeno custo do collar
Note que o risco e o retorno já ficam conhecidos desde o início da operação, o que é justamente a principal razão de se montar um collar.
Zero-Cost Collar: Quando o Custo Líquido É Zero
Um zero-cost collar acontece quando os prêmios da put e da call se anula, ou fica bem perto disso. No exemplo anterior, se a call fosse vendida com strike de R$ 40,50 em vez de R$ 41,00, o prêmio provavelmente subiria para perto de R$ 1,20, empatando com o custo da put.
O resultado seria um collar de custo zero, mas com um teto de ganho um pouco mais apertado. Existe ainda uma variação mais avançada, o collar knock-in, usado sobretudo em produtos estruturados, no qual a put ou a call só passam a valer depois que o preço do ativo toca uma barreira predefinida. Essa variação foge do escopo de um collar simples e normalmente é montada com ajuda de uma mesa de operações, não pelo investidor direto no home broker.
Vantagens da Estratégia Collar
A vantagem mais óbvia é a proteção de carteira: a put garante um piso de preço, então o investidor sabe exatamente qual é a perda máxima possível antes mesmo de a ação se mexer.
Outra vantagem é o custo reduzido, ou até nulo, quando comparado a comprar só uma put protetora sozinha, já que o prêmio da call ajuda a bancar parte da conta. Além disso, o investidor continua dono da ação, continua recebendo dividendos (quando aplicável) e não precisa se desfazer da posição só para dormir tranquilo. Ferramentas de análise gráfica, como padrões de candles, também ajudam a escolher um momento mais adequado para montar a estrutura, evitando abrir a operação logo depois de um movimento brusco de preço.
O investidor também pode ajustar o collar ao longo do tempo, encerrando as opções antigas e montando outras com novos strikes conforme o preço da ação se movimenta. Essa flexibilidade permite adaptar o nível de proteção sem precisar vender a posição original em ação.
Desvantagens e Riscos
A desvantagem mais evidente é o teto de ganho: se a ação disparar bem acima do strike da call, o investidor não participa desse ganho extra, e a ação simplesmente é vendida no preço combinado.
Há também o custo da put, que reduz o retorno em cenários de mercado estável, o prêmio pago não volta caso as opções expirem sem valor. Taxas de corretagem e emolumentos também entram na conta, principalmente para quem monta collars com frequência, e questões tributárias sobre o exercício das opções merecem atenção, já que as regras variam conforme o tipo de operação e o prazo.
Vale lembrar, também, que estratégias baseadas em suporte e resistência exigem prática para serem lidas com confiança, e isso importa bastante para quem for adaptar a lógica do collar em plataformas que não oferecem opções clássicas.
Existe ainda o risco de exercício antecipado na call vendida, já que opções americanas podem ser exercidas pelo titular antes do vencimento, normalmente perto de datas de pagamento de dividendos. Isso pode obrigar o investidor a entregar a ação antes do que planejava, encerrando a posição mais cedo do que o esperado.
Erros Comuns ao Montar um Collar
Escolher strikes errados: strikes próximos demais do preço atual protegem pouco ou limitam o ganho cedo demais; strikes distantes demais encarecem a put sem necessidade
Montar o collar no momento errado: em períodos de baixa volatilidade, os prêmios ficam menores dos dois lados, o que piora a relação entre custo e proteção
Esquecer custos de transação: corretagem e emolumentos, somados em várias operações, comem uma parte real do resultado
Ignorar os impactos tributários: o exercício de opções pode gerar consequências fiscais que pegam o investidor de surpresa se ele não planejar com antecedência
Um erro que também aparece bastante é montar o collar e esquecer dele. O corredor de preço muda conforme a ação se movimenta, então vale acompanhar a posição, e não só montar e torcer.
Simulando a Lógica do Collar na Pocket Option

É importante ser direto aqui: a Pocket Option não oferece opções de ações no formato clássico, então não dá para montar um collar de verdade, com put e call de verdade, dentro da plataforma.
Mesmo assim, de qualquer forma, é possível simular a lógica de risco limitado do collar usando zonas de suporte e resistência dentro do Quick Trading. A ideia central é reproduzir o mesmo corredor de resultado, só que com posições de compra e venda no lugar de put e call.
Na prática, o investidor identifica um suporte forte e uma resistência forte no ativo escolhido, usando linhas horizontais ou Bandas de Bollinger. Perto do suporte, abre uma posição de Compra esperando uma reação de alta. Perto da resistência, prepara uma posição de Venda, limitando o ganho ou a perda dentro daquela faixa. O efeito prático lembra o corredor do collar, mesmo sem envolver opções de verdade.
Indicadores como RSI e médias móveis ajudam a confirmar se o preço realmente está reagindo perto dessas zonas, em vez de simplesmente atravessá-las. E como em qualquer simulação, vale testar a lógica em conta demo antes de repetir o mesmo setup com dinheiro real.
Pratique com suporte e resistência
Começar AgoraConclusão
A estratégia de collar entrega algo raro no mercado de opções: um resultado com piso e teto conhecidos desde o começo da operação, geralmente por um custo baixo ou até zero. Em troca dessa previsibilidade, o investidor abre mão de parte do potencial de ganho, o que é um preço justo para quem valoriza mais dormir tranquilo do que capturar cada centavo de uma alta forte.
Na Pocket Option, sem opções clássicas disponíveis, a lógica do collar pode ser aproximada com suporte, resistência e Quick Trading, o que já ajuda o investidor a pensar em termos de risco definido, mesmo fora do mercado de opções tradicional.
Disclaimer: Esta estratégia envolve riscos e não garante proteção total contra perdas. As informações aqui apresentadas têm caráter educacional e não substituem a orientação de um profissional financeiro licenciado.
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